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22/03/2020 | Certificação de normas acreditadas pelo GFSI, Indústria de Alimentos

Gerenciamento de crises e emergências

A sua empresa possuía um plano de gerenciamento de crises e emergências? As ações estão se mostrando eficazes?
Por
Lígia Tereza de Moraes Uehbe
Consultora na Certifee
Gerenciamento de crises e emergências

A FSSC 22000, na ISO 22000:2019, traz o requisito 8.4 Prontidão e resposta a emergências aonde está descrito que a Alta Direção deve assegurar que procedimentos sejam implementados para potenciais situações emergenciais ou incidentes que possam ter um impacto na segurança de alimentos e que sejam pertinentes à função da organização na cadeia produtiva de alimentos, assegurando a aplicação de requisitos regulamentares e estatutários identificados, comunicando-se internamente e externamente e tomando ações para reduzir as consequências da situação emergencial, apropriada à magnitude da situação.

Logo, reconhecemos a atual situação de pandemia uma crise com capacidade de afetar a segurança dos alimentos fabricados, transportados e comercializados. E então, como a sua indústria está lidando com tudo isso? Havia um plano de gerenciamento de crises e emergências? As ações estão se mostrando eficazes?

 

Surto, epidemia ou pandemia devem ser tópicos relacionados no planejamento das indústrias como potenciais situações emergenciais, além de outras, e um plano de ação deve objetivar minimizar o impacto à segurança dos alimentos.

Este plano deve considerar todas as partes interessadas e principalmente funcionários, fornecedores e clientes/ consumidores, avaliando:

  • Funções críticas/ chave;
  • Saúde e segurança de funcionários versus absenteísmo;
  • Uso adequado e correto de EPIs e EPCs;
  • Realocação de funções;
  • Funções temporárias ocupadas por profissionais devidamente qualificados;
  • Flexibilidade em horários e mudança de rotina;
  • Possibilidade de home office;
  • Mudanças no comportamento e nas escolhas de consumo e compra.

É necessário ter um Comitê com responsabilidades e autoridade determinadas, incluindo autoridade para tomada de decisão e início de ação, além da avaliação periódica da situação.

Uma das finalidades do plano de ação deve ser a continuidade do negócio e é importante considerar também aspectos como:

  • Disponibilidade de recursos;
  • Condições de infraestrutura, como transporte, energia, combustível, meios de comunicação, água e segurança;
  • Demanda por produtos, como por exemplo álcool em gel e máscara versus estoque, transporte, reposição e capacidade de produção;
  • Plano de comunicação interna e externa;
  • Políticas em caso de sintomas ou casos que envolvam os familiares de funcionários;
  • Políticas de RH relacionadas a férias, licenças, descansos e ausências durante situações de emergência;
  • Suprimento de produtos de limpeza e higiene;
  • Suprimento de matérias primas, ingredientes e materiais de embalagens devidamente aprovados;
  • Práticas para minimizar chances de disseminação, como interromper/ cancelar eventos, viagens, visitas técnicas, reuniões, etc.;
  • Determinar ações virtuais como reuniões por teleconferência, por exemplo;
  • Práticas para minimizar contato entre funcionários e prestadores de serviços, superfícies e produtos;

É importante que, além do Comitê, os funcionários estejam preparados e capacitados para aderência ao plano de ação, daí a importância de atender à ISO 22000 que solicita que a organização deve testar os procedimentos determinados, periodicamente e analisar criticamente os resultados obtidos.

Convém que a organização também considere a possibilidade de envolver o convênio médico, o departamento jurídico e a seguradora, conforme as ações necessárias.

E, não menos importante, todas as ações e os resultados devem ser mantidos como informações documentadas, sendo evidências de que os produtos fabricados durante o período tiveram a sua segurança e integridade devidamente protegidas.

 

Finalmente, com relação à certificação, tanto a FSSC como as demais normas reconhecidas pelo GFSI se pronunciaram e determinaram regras e recursos para este período de crise que estamos vivendo. Cada norma determinou as suas regras e será possível, com base em avaliação de risco, adiar auditorias (por até 6 meses) ou mesmo realizar auditorias remotas, desde que exista uma infraestrutura adequada – conexão de internet, por exemplo e que sejam considerados no mínimo os critérios: avaliação crítica das principais alterações desde a realização da última auditoria; status versus objetivos e desempenho do SGSA, através da auditoria interna e da análise crítica pela Direção; revisão documental de processos, PPROs e PCCs; registros de PPRs; teste de rastreabilidade; e, sem esquecer a questão de preparação e resposta a emergência, incluindo as evidências das ações tomadas com relação ao impacto do coronavírus na cadeia de suprimentos e recursos.

 

A indústria de alimentos não pode parar e precisa garantir a segurança de seus produtos mesmo diante de situações adversas como esta, na esperança de que em breve tudo irá se normalizar.

 

Referências

ABNT NBR ISO 22000:2019 Sistemas de gestão de segurança de alimentos - Requisitos para qualquer organização na cadeia produtiva de alimentos.

Coronavirus and Pandemic Preparedness for the Food Industry, The Food Industry Association - March 12, 2020.

Position in relation to novel Coronavirus (COVID-19) pandemic – March 20, 2020.

Requirement documents in relation to managing the Coronavirus (COVID-19) pandemic - https://www.fssc22000.com/scheme/scheme-documents/.

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