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08/10/2019 | Tecnologia de Alimentos

Alternativas para Agregação de Valor aos Resíduos da Industrialização do Pescado

O processamento do pescado gera vários resíduos e o seu aproveitamento para fins alimentícios ou não, traz benefícios inúmeros para as empresas, consumidores e a própria natureza.
Por
Ricardo Carriero
Engenheiro de Pesca
Alternativas para Agregação de Valor aos Resíduos da Industrialização do Pescado

O processamento do pescado gera vários resíduos. Dentre eles, os principais são: peixes desclassificados, água residual, vísceras, carcaça da filetagem (cabeça, pele, nadadeiras, coluna vertebral), escamas, carapaça do camarão e siri. Estes resíduos representam um custo para empresa, que é responsável pelo correto direcionamento destes, uma vez que representam uma fonte poluidora se despejados em local inapropriado.

Segundo o relatório FAO (2018) (Food and Agriculture Organization of the United Nations), 12% (cerca de 20 milhões de toneladas) da produção de pescado em 2016 foram destinados a fins não alimentícios, ou seja, para elaboração de farinha e óleo, volume em declínio significativo.

 Além do mais, quando processados os resíduos ganham valor agregado e são revertidos em lucro para a empresa. Na verdade, existem empresas especializadas em manipular resíduos. Elas produzem farinha, silagem e óleo de pescado. Os quais são ingredientes essenciais na maioria das rações formuladas para alimentação animal. Também existe a utilização da bexiga natatória de algumas espécies de peixe na Ásia como fixador pela indústria de cosméticos e bebidas. Inclusive é matéria prima de linha para sutura cirúrgica, utilizada por ter uma grande capacidade de absorção pelo corpo. Outro resíduo que está sendo comercializado são as escamas do peixe, com finalidade para retirada de colágeno. O camarão e o siri também possuem um resíduo com valor agregado, a quitina, extraída do seu exoesqueleto, podendo ser utilizada como agente floculante no tratamento de efluentes, como adsorvente na clarificação de óleos e principalmente para produção de quitosana.

Já para o aproveitamento para alimentação humana, a qualidade da matéria-prima deve ser superior. Neste caso, pode-se obter carne mecanicamente separada (CMS) através da prensagem de restos da filetagem, por exemplo. Essa CMS, é utilizada na elaboração de vários produtos alimentícios, tais como: Surimi, Nuggets, hamburguer, empanados, salsicha, linguiça, entre outros.

A reutilização do efluente é um outro aproveitamento de resíduo. Em unidades de beneficiamento de tilápia, por exemplo, para cada quilo de peixe processado, são utilizados 15 litros de água, em média. Considerando que a indústria processe 1.000kg de tilápia diária, em 30 dias o consumo de água será de aproximadamente 345.000 litros de água. Um exemplo é a sua reutilização na irrigação agrícola (Lama, 2018).

O aproveitamento destes resíduos traz benefícios inúmeros para as empresas, consumidores e a própria natureza, visto que possui demanda do consumidor, redução de custos e aumento da produtividade, aumentando a rentabilidade do negócio.

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